quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Leiria
03 de junho
Chego a Leiria. Dá pra imaginar uma capital de 45 mil habitantes? A primeira impressão é a melhor possível. Limpa e elegante. De repente o castelo. E eu digo pra mim: “olha isso”. Lindo, imponente, bem no alto, mas estou de frente das suas escadarias. Tenho a exata noção de como será difícil chegar ao alto. Sei que vou ver muitos castelos ainda, mas este me encantou desde que o vi nas intermináveis buscas que fiz na internet e nem acredito que estou diante dele. Será meu melhor passeio em Leiria.
Desço do ônibus, aqui se chama expresso; se você falar ônibus ninguém sabe o que é. Estão aprendendo palavrinhas novas comigo também. risos. A folgada brasileira, acostumada que está com vários táxis disponíveis, assim que sai da rodoviária não vê nenhum. A pessoa estranha, olha prum lado e pro outro e escolhe a direita. Na próxima esquina tem um ponto com muitos táxis. Não estão na frente da rodoviária certamente para não enfeiar. Europa é outra coisa mesmo. Entra no primeiro, cumprimenta o motorista e diz o endereço do hotel Íbis. Finalmente um português acessível. Ele, um senhor de uns 65 anos, de olhos muito azuis me pergunta em que cidade moro no Brasil. Quando digo Goiânia ele custa a acreditar. Tem os olhos marejados, o pranto chega com força e fico penalizada porque não sei o que está acontecendo. Digo a ele que seria melhor ele parar o carro porque chora tanto que tenho medo que não possa ver nada à sua frente. Ele, mais calmo, começa a me dizer que tem esposa e filha em Goiás e faz 2 anos que não as vê. Casou com a goiana que veio passear em Leiria há 21 anos, teve com ela essa filha que cursa Letras em Goiânia. Ele fica tão feliz em encontrar alguém que, de alguma forma, o aproxima das suas amadas, que pega o “telemóvel”, liga pra esposa e me põe a falar com ela. “““ E ela, muito simpática, me diz:” esse homem é um amor, traz ele pra mim quando voltar...” Quando chego ao hotel ele me deixa um cartão e se coloca à disposição para toda e qualquer corrida. Penso, além de ganhar um dinheiro ainda dá pra fazer terapia comigo de graça... bom também... E num jeito paternal me diz que é pra ter cuidado com os portugueses, que eles são muito falsos, adoram as brasileiras, mas a grande maioria as considera prostitutas. Aqui mesmo em Leiria diz que havia cinco casas de prostituição, todas brasileiras e que os portugueses ficaram loucos com as mulheres, mas as esposas, ao verem muitos maridos deixando os casamentos, alguns deles descuidando da vida de casados e passando horas no lugar, uniram-se e, aos poucos, foram fechando os estabelecimentos. Aqui quase 100% das brasileiras vêm para tomar os maridos endinheirados das portuguesas. São consideradas destruidoras de lares, prostitutas, mulheres fáceis. Uma das esposas matou uma brasileira, dona de uma dessas casas, que lhe tomou o marido e essa foi a última casa que existiu por aqui de brasileiras. Imagino que tenha outras boites dos portugueses, mas não perguntei isso a ele, não me interessava. No final da conversa ele me diz que também tem portugueses que são boas pessoas. Agradeço e entro no hotel entendendo o motivo do tal portuga ser tão acessível, aprendeu com o jeito brasileiro da mulher.
Sou muito bem recebida pela moça da recepção. Eles são bem profissionais e me lembram os donos de hotéis e restaurantes em Gramado. Estou tão cansada que encosto as malas e tomo “um duche’”. Sim, aqui não se fala chuveiro. Banheiro também não é banheiro, mas “casa de banho”. Ajeito algumas roupas e fico por ali vendo tv e ponho as pernas pra cima. Os pés estão inchados, enormes, e me dou 1 horinha de descanso.
Almoço às 16h, ainda meio viciada com o horário do Brasil que é meio dia. Meu estômago pensa que ainda está em casa. Apesar da bactéria estou louca pra comer uma salada (nem vou contar pra Dóris e Marina) e peço uma deliciosa: vários tipos de alface, tomate cereja, azeitonas pretas e queijo de cabra. Vem um pão de sementes muito bom. Coloco bastante azeite e fico ali olhando pela janela agradecida pela boa vida que tenho.
Luto contra o sono, tento não dormir e mesmo com o sol quente vou caminhar pela cidade. Ando durante 1 hora, volto, tomo outro banho e não tem jeito, o sono me vence, afinal havia dormido no máximo 3 horas no avião. O que seria uma soneca breve virou um sonecao de 4 horas. Tou frita, mifu.
Desço pro restaurante do hotel, levo o computador e peço uma sopa de legumes. Não tão gostosa quanto à do Brasil.. risos... poucos legumes, cozidos em excesso, mas tomei tudinho porque a fome era grande e queria alguma coisa mais leve porque tentaria dormir no horário de sempre, mas em vão, acabei dormindo às 2 da manhã. Prometi acordar no máximo às 8h no dia seguinte. Quero fazer o tal passeio ao castelo e irei a pé. Não é muito perto, mas quero andar, tirar fotos e esse será o meu programa de amanhã.
Volto depois. Beijinhos!
Começando minha viagem...
02.06.2011
O dia começa com o Thiago me levando ao aeroporto. Estava tão feliz quanto eu. Foi ótimo! Depois encontrei com Túlio, também vibrando pela primeira viagem da mãe. Almoço fantástico no Mangai, restaurante nordestino, carne seca com nata, vou ter que voltar lá. Obrigada, filhos queridos, vocês realmente são maravilhosos!
Avião lotado. Crianças, muitos brasileiros e pela olhada muitos estrangeiros também. Agarrei no meu Saramago e fui viajando com ele por Portugal. Chega o jantar duas horas depois e o sono nada. Mp3 na oreia, Gikovate vai comigo agora. Uma criança berra perto do banheiro no colo da jovem mãe. Lembro do choro nervoso do Thiago quando estava com sono e não conseguia dormir. Sinto vontade de me juntar a ela, tou com o mesmíssimo problema. E as horas passam, minha vizinha do lado ronca que quase derruba o avião e eu doida pra cutucá ela, mas fico quieta. Finalmente depois de 6 horas de voo sou derrubada pelo sono, mas aí só temos mais 3 horas e meia até o destino e acordo com o barulho do café da manhã que começa a ser servido. Bora então, tudo é festa.
Chego a Lisboa às 6h20m, estou quatro horas à frente do Brasil. Isso quer dizer saldo devedor de muitas horas de sono. Estou pregada, os olhos ardendo e posso jurar que colocaram um caminhão de areia neles.
Depois de uma fila de 40 minutos chego ao balcão da imigração, dou um sorriso brasileiro e o moço não me faz pergunta alguma ao contrário do que vinha fazendo com todos, carimba meu passaporte e lá vou eu.
Não querendo gastar 15.00 euros de táxi espero o autocarro 96 que me levará à rodoviária. Sim, cheguei a Lisboa, mas quero me aventurar pelo interior enquanto tenho gás e a capital ficará pro final do mês. O autocarro chega, uma moça está ao volante. Mesmo sabendo que os portugueses são bastante reservados assusto-me com a seriedade e ausência de sorriso. Tudo bem, já sabia que era assim, não me importo. Cada povo com o seu jeito.
Chego ao guichê da rodoviária 20 minutos depois e no guichê um senhorzinho, que a meu ver, já deveria estar aposentado (coisa difícil por aqui) me vende passagem pra Leiria e diz: “vá rápido porque o ônibus está quase saindo”. Mineira que sou vou é correndo e alguns passos depois dou de cara com o ônibus saindooooo. Faço um sinal pro motorista e ele abana a cabeça contrariado. Pensei, tou ferrada! Vou levar bronca. Não deu outra, ele desceu do ônibus, já me deu uma patada fudida, fingi que não era comigo, ele continuou a dar o sermão, que eu deveria ter esperado o próximo, fiz aquela cara de quem acabou de ganhar uma xicara de presente (lembram-se da Ana Carolina?), mentalmente mandei à PQP e vambora pro interiorrr.
Ônibus vazio, autoestrada espetacular, energia eólica é o que se vê e Eólo, o deus dos ventos, deve estar feliz porque os “cata-ventos” se movimentam todo o tempo. Temperatura de 18 graus, linda paisagem. Fone no ouvido de novo, convido o Gikovate pra ir comigo. Estou radiante. Agora é curtir tudo que é novo pra mim.
PALAVRINHAS DIFERENTES ATÉ AGORA:
- LIGEIROS – LEVES
- NÃO PERCEBO – NÃO ENTENDO
- AGUA FRESCA – AGUA GELADA
Mas descubro também que eles nos pedem para repetir algumas vezes. Bom que não me entendam também porque falam tão rápido e não quero ser a única a pedir que repitam toda vez. . .risos.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
Ida a Belo Horizonte
Gosto de viagens sem programação também... Deu na cabeça peguei o avião e fui na minha terra rever minha mãe e amigos queridos.
Tudo foi bom... ficar tempão chupando jabuticaba no pé na casa da Noeme... as conversas intermináveis antes de pegar no sono...
Abraços cheios de afeto nos queridos de lá...
Novos amigos surgiram...
E fortalecimento dos laços já existentes... Não quero mais deixar passar tanto tempo...
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