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quinta-feira, 1 de abril de 2010

 
 

Tia Maria
Bonita, a única que não tem os olhos azuis, mas lindos olhos castanhos que nem os meus... risos...

Apenas uma casa separava a minha da sua e nos víamos todos os dias.
Quando eu ia pra escola e passava lá pra chamar a Cecília ela penteava os meus cabelos. É, minha mãe acordava tarde e eu me virava sozinha. Como era muito pequena penteava só por cima e ficava tudo embaraçado por baixo, uma coisa. Ela cuidava disso e eu adoraaava, claro. Gostava também quando me chamava pra lanchar. Colocava queijo fresquinho dentro do pão e posso lembrar do sabor enquanto escrevo.

Crianças não se esquecem de muitas coisas... Ela não brigava comigo nunca a não ser num dia em que a minha prima Ângela estava deitada no meu colo. Eu era muito criança, e ela me pediu pra coçar o seu ouvido com um grampo. Ela estava gostando muito daquilo e não queria que eu parasse, aliás, ficava me pedindo mais e eu socando o grampo. Capeta e impaciente que sempre fui, quanto mais eu coçava mais ela pedia, daí arranquei aquela proteçãozinha que vem no grampo e continuei o meu “serviço”. Ouvido não é lugar pra enfiar nada (até hoje não aprendi isso porque vivo cutucando o meu com qualquer troço) e acho que algo deu errado porque machuquei sem querer a minha querida prima. Tia Maria veio correndo e brigou muito, muito comigo. E eu, sem entender muito bem, dizia: “Mas foi ela que pediu, tia!”. Ângela me disse algumas vezes que não escuta bem e que a culpa é minha. Quero até perguntar a ela se isso é verdade ou se era pra me deixar com sentimento de culpa.

Lembro-me de outras coisas... das luzes da árvore de natal que eles montavam e que eu achava linda, principalmente à noite. E dos passeios que fazíamos nos morros e minha tia Maria sempre com seu cantil e suas bolachas. A gente queria beber a água dela, mas nem adiantava pedir. Não dava mesmo.

E de tarde chamava os filhos pra tomar banho assim: “Ângela, Beatriz, Cecília e Nelson... hora de tomar banho!”

Ah, era muito bom aquele tempo... Sinto muitas saudades da senhora, tia. Muitas mesmo! Te mando essas flores com meu beijo e carinho.
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Tia Anita

 

Escrevi sobre tia Anita assim que ela morreu.

Quarta-feira, Agosto 01, 2007 :::


Finalmente, depois de muitos dias e noites na UTI, voou minha tia Anita para outras paragens... Descansou... Foi se encontrar com os pais, parentes e amigos que foram antes dela. Ainda bem que pude ajudá-la um pouquinho numa certa época de sua vida quando sua situação financeira não andava lá essas coisas. E agora veio-me à mente dias felizes da minha meninice quando ia na casa dos meus avós maternos e Nitinha sempre estava lá, solteira que sempre foi, nunca foi escolhida por ninguém por ser a menos bonita das sete irmãs, doentinha sempre e muito apegada aos pais.

Era bom demais quando eu chegava lá e ela, pra me distrair, colocava em minhas mãos o seu caleidoscópio, uma coisa mágica aos meus olhos de criança... um objeto ótico que nos faz ver belas formas, inventado na Inglaterra há quase 200 anos. Dentro dele, se o quebrássemos, haveria apenas caquinhos de vidro colorido refletidos em dois espelhos, mas pra mim não era nada disso... eram sim, formas mágicas, lindas, coloridas que me distraíam por horas. Eu adorava aquilo! E minha tia Nita ali, ao meu lado, alimentando minhas fantasias. Como era bom!

Além do caleidoscópio ela me mostrava também, em um aparelhinho parecido com uma máquina fotográfica, várias imagens coloridas de animais de todo tipo, naquela vontade de tornar minha visita agradável. Gracinha ela nestes momentos. Em outros danava também porque vivíamos correndo dentro de casa e nessa hora eu não gostava nadinha dela.

Nitinha querida, vá com Deus e que Ele enfeite sua nova estrada com flores e estrelas coloridas que nem aqueles caquinhos de vidro que me fizeram tão feliz ... A gente se vê qualquer dia.
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sábado, 23 de janeiro de 2010

Tia Dulce

 
Essa é minha tia Dulce.
Tinha uma alegria e entusiasmo como nunca vi em pessoa alguma. Foi a responsável pela minha evangelização quando criança e, se tenho fé, se sou ligada a Deus, se gosto de cantar e tocar violão nos cultos e no Batuíra, Centro que vou aos domingos pela manhã, devo a ela. Plantou a semente junto com a Zelinha, minha mãe, que sempre me falou do Mestre.
Lembro-me que acordava cedo aos domingos, vestia minha roupa, penteava os cabelos mais ou menos e ia pra escolinha. A igreja era pertinho de casa. Ela nos colocava em uma sala e contava a história de Jesus, de Moisés, Jó, mostrava gravuras e eu adorava. Ensinou-me muitas musicas, não só pra mim, mas pra todas aquelas crianças pobres da vila onde eu morava. Era casada com o tio Silas, que também frequentava a igreja, dava seus testemunhos, contribuía muito.
Um dia, parei de ir. Outras coisas começaram a chamar-me a atenção.
E meu coração de criança ficou triste demais quando ela foi embora... foi morar em Itaperuna, RJ. E com ela foram meus primos que brincavam comigo: a Cristina, Viviane, José Ricardo e o Leandro. E também a broa de fubá deliciosa que fazia todos os sábados. A gente brincava tanto naquele quintalzão, era tão gostosa a nossa convivência, mas hoje sei que eles precisavam ir, foi ótimo pra vida deles. Tanto que ficaram por lá, meus primos se casaram, vieram os filhos.
Hoje matamos as saudades pela internet, o Orkut reaproximou aqueles que gostam de computador, vemos fotos, sabemos das novidades. E a vida segue. Apesar da distância os corações continuam entrelaçados pelo carinho que começou lá atrás e isso, gente, não acaba fácil não.
Minha tia querida já se foi, mas nunca a esqueci e está sempre em minhas preces.
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terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Tia Paula

 

Saudade, tia...
Tempos bons aqueles em que eu chegava na casa da vovó Antônia e era recebida com beijos e sorrisos seus... Eu te achava sempre tão feliz, tão de bem com a vida. E, quando criança, você me deixava brincar com as suas "jóias", seus colares coloridos, brincos, pulseiras. Sim, eu sei, eram bijuterias, mas pra mim brilhavam que nem ouro, tia. Quanta saudade! E a época em que trabalhava naquela loja bonita, cheia de perfumes.Sloper?? Não sei o nome... Eu entrava lá com minha mãe quando ia "à cidade" e tudo me encantava.
Mas, o que mais encantou-me foi você mesma... do jeitinho que sempre foi... carinhosa, sempre defendendo os sobrinhos das broncas muitas vezes injustas de nossos pais. Quase te chamo de tia preferida. Só não o faço para não entristecer tantas outras que eu também gosto tanto.
Minha querida... Sei que agora está alegrando o povo lá de cima.
Que Deus te abençoe sempre.
Beijos!
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